Cor e luz são dois elementos muito importantes para o trabalho de um artista. No universo da prótese odontológica, esse conceito não é diferente. Técnicos em prótese dentária sabem que, seja no fluxo convencional ou digital, compreender esses conceitos é indispensável. Afinal, é essa técnica que garante uma peça protética natural e altamente estética.
Mas como a luz está inserida nessa realidade? E como entender conceitos de cor e luz podem evitar erros em trabalhos estéticos? É isso que veremos neste artigo!

Conceitos de cor e seleção de pastilhas
Em qualquer tratamento estético, a seleção de pastilhas é determinante para o sucesso do resultado. É essa escolha que garantirá que a peça protética final esteja em harmonia com a face do paciente, evitando retrabalhos e assegurando a satisfação do tratamento.
E, sim, compreender os conceitos de cor pode fazer toda a diferença na seleção de pastilhas. Isso porque, no momento da escolha, o técnico em prótese dentária deve levar em consideração que as pastilhas são baseadas no conceito de claridade, também conhecido como valor.
Ficou um pouco confuso? Vamos explicar direitinho as três dimensões de cor que o TPD deve estar atento: matiz, croma e valor, definidas pelo sistema de cores de Munsell.
Entenda o sistema de cores de Munsell no trabalho protético
Aprendemos desde os primeiros anos de vida a identificar cores e diferenciá-las. Essa base, no entanto, é apenas parte de um grande sistema de cores utilizado em diversas áreas. Criado pelo professor Albert H. Munsell, o sistema de cores de Munsell aponta que existem propriedades que detalham a definição de cores. São elas: matiz, croma e valor.
Esse sistema é utilizado por qualquer área que envolva o trabalho com cores. Para um técnico em prótese dentária, compreender a diferença e as definições de cada uma dessas propriedades é o que vai definir a qualidade final do trabalho protético estético.
Entenda abaixo o sistema de cores de Munsell e como ele é aplicado na confecção de próteses dentárias:
Matiz
O matiz é a propriedade mais simples de compreender. Ele se refere à percepção e identificação da cor propriamente dita, assim como aprendemos na infância. Ou seja, podemos constatar que a grama é verde, não importa se é um verde claro ou escuro.
Sendo assim, os matizes são cores sem o conceito de intensidade ou sutileza. Para o TPD, é importante ter essa compreensão pois o matiz estará interagindo com as outras propriedades (croma e valor).
Croma ou saturação
O croma ou saturação, por sua vez, é a intensidade da matiz. Então, é ele que define a concentração de pigmento de uma cor. Neste ponto, é essencial saber identificar exatamente o que significa o croma para que os conceitos não sejam confundidos.
Então, na ilustração abaixo, podemos notar que a matiz é a cor verde. Entretanto, temos diferentes tipos de croma. É possível identificar que no início, a intensidade da cor está menor, e no final, está maior – essa é a definição de croma ou saturação.
Ou seja, em toda a faixa, o matiz é o mesmo (verde), mas o croma varia, tornando-se um verde fraco ou forte.
Valor
Como mencionamos lá no início, o valor é a claridade. Esse é um conceito de cor muito importante, além de muito relevante para o trabalho do TPD. O valor é a quantidade de branco, cinza ou preto em uma cor. Na confecção de um elemento dentário, essa propriedade tem mais relevância que a matiz e a saturação.
É fundamental que o técnico em prótese dentária saiba compreender quando o problema estético de um dente depende do valor. Afinal, caso haja necessidade de reajustes na cor, ele saberá interpretar melhor onde está o problema se tiver o conhecimento dos conceitos de cor e luz bem definidos.
Então, por exemplo: um cirurgião-dentista pode devolver o trabalho para o TPD realizar um ajuste e dizer que há necessidade de amarelar mais o dente. Ou seja, para amarelar mais, o ideal seria ajustar o croma. Entretanto, pode ser que, na verdade, para ter o efeito de mais amarelo, o dente necessite de ajuste na claridade. Nesse caso, é o valor que deve ser alterado.
Por isso, saber identificar qual conceito de cor deve ser trabalhado facilitará significativamente o trabalho do TPD.
Um resumo simplificado do sistema de cores de Munsell
- Matiz: a cor propriamente dita, sem definições de claro, escuro, forte ou fraco. Exemplo: vermelho, verde, amarelo.
- Croma ou saturação: a intensidade da cor. Exemplo: vermelho forte, vermelho fraco.
- Valor: quantidade de claridade da cor. Exemplo: vermelho escuro, vermelho claro.
Importante lembrar que vermelho claro e vermelho fraco não são a mesma coisa. Um vermelho fraco é definido pelo croma, ou seja, tem baixa saturação. Já o vermelho claro é definido pelo seu valor, ou seja, pela quantidade de claridade.
Veja abaixo as comparações:
Mas e a luz?
Então, vimos que é preciso ter uma ampla percepção de cores, considerando matiz, croma e valor, para uma seleção de materiais mais eficiente. Mas em que momento a luz está inserida nessa dinâmica?
Na verdade, a todo momento.
Tudo o que enxergamos é reflexão de luz. Sendo assim, a luz interfere na nossa percepção de cor, o que significa que um mesmo dente pode ser percebido mais claro ou mais escuro dependendo da luz em que ele está exposto. Então, em laboratórios de prótese dentária, a recomendação é trabalhar com luz ambiente.

Mas isso não necessariamente significa que você precisa estar em busca da luz ambiente. Na verdade, existem lâmpadas específicas que alcançam esse padrão, e elas podem ser facilmente encontradas em lojas de materiais de construção, por exemplo.
Então, resumindo: a temperatura da cor é dada em Kelvin e a luz natural do dia varia por volta de 5.600K. Portanto, se a luz do dia gira em torno de 5.600K, o ideal é que a lâmpada utilizada pelo TPD no momento de conferir as cores e fazer a seleção de materiais seja uma que gira em torno de 5.600 kelvins – para reproduzir a luz ambiente dentro do laboratório de prótese.
Conceitos de cor e luz e outras propriedades ópticas
Como vimos, conceitos de cor e luz são essenciais para garantir o sucesso em casos estéticos. Ainda assim, além dos conceitos de matiz, croma e valor, existem outras propriedades ópticas indispensáveis para alcançar essa meta.
Ao todo, são 8 dimensões da cor que o TPD deve estar atento. Além dos conceitos que conhecemos neste texto, existem ainda translucidez, opacidade, textura, fluorescência e opalescência.

Todos esses efeitos e cores definirão as características estéticas da peça protética e auxiliarão o técnico em prótese dentária a ter um trabalho com menor necessidade de ajustes, contribuindo também para a satisfação do cliente e do paciente.
O que mais você precisa saber?
Manter-se em atualização é fundamental para melhorar resultados, e quando o assunto são trabalhos estéticos sabemos que há muito para aprender! Abaixo, você confere alguns de nossos artigos sobre o tema:
- Protocolo para trabalho estético: você utiliza esse procedimento padrão no seu laboratório de prótese?
- Você conhece o Digital Smile Design (DSD)? Entenda a técnica de planejamento estético de sorrisos
- Maquiagem dental em peças fresadas: eficiência e naturalidade
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